Hoje de manhã, ao mexer no celular, apaguei seu número da agenda telefônica. O fucei mais ainda e achei uma foto antiga nossa. Eu estava sorridente, meu cabelo esvoaçante e minha expressão radiante, feliz. Você estava ao meu lado, com um de seus braços em volta de minha cintura. Seu rosto revelava um simples descompromisso. Seu olhar distante. Sua cabeça em outro mundo.
“Mas que boba.” Foi o que pensei ao ver a imagem. Tive raiva. Fui às opções e selecionei “excluir”. Ponto final.
Quem dera a vida tivesse essa alternativa: eliminar aquilo que não serve mais. Eu aproveitaria e te excluiria junto. Pena que, para mim, a foto se foi. Você não. Ainda não.
Se quiser saber mesmo o que eu tenho a revelar, se quiser saber o que eu conclui e se quiser saber o pretexto do meu silenciar, procure-me. Eu optei em manter meu orgulho. Isso é a única coisa que comunico, e o que você já deveria saber. Tirei minhas próprias conclusões. Optei por mim. Pelas minhas roupas. Pelos meus livros. Por outras pessoas.
Dizem que quando escolhemos ser orgulhosos, temos que saber lidar com a saudade e toda essa baboseira. Baboseira, sim, ué. Vou ter saudade do que, no fundo, nunca me pertenceu? Agora nem estou dando créditos para o que dizem por aí e toda essa balela de correr atrás.
“Vai desistir logo daquilo que você vive pensando a respeito?”
“Você vai mesmo conseguir suportar a saudade?”
“Vai ficar nessa de demonstrar que não se importa?”
Sim, sim e sim. Minhas respostas são – e continuarão sendo – todas afirmativas. Eu já disse que optei pelo orgulho e nisso não volto atrás. Quando as pessoas decidem em nos abandonar, por exemplo, elas simplesmente resolvem e pronto. Porque quiseram. Porque não se importam. Porque, aparentemente, estão bem sem a gente. Mas eu posso estar errada, já que não tenho o dom de captar a veracidade nos sentimentos demonstrados pelos outros. Apesar disso, peço perdão pela falta de criatividade, já que decidi agir do mesmo jeito.
Afinal, se eu exclui seu número e aquela foto, não tenho remorso. E por mais que eu pense que foi um erro e venha aquela vontade em te ligar, vou correr para o espelho e me analisar com o celular na mão. Tenho toda a certeza do mundo que vou rir de mim e me lembrar da pessoa de que eu realmente devo agradar: a que aparece espelhada em minha frente. Boba. Decidida. Orgulhosa.
LAÍSA CAROLINE
estou assim esses dias..optando pelo orgulho!
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