julho 21, 2012

Odiando generalizações


Eu estava no ônibus no caminho de volta pra casa e me deparei com a conversa de duas meninas. Não fique pensando que tenho mania de ouvir discussões alheias, é que o debate estava tão alto que, se o sinal apontasse a cor vermelha, qualquer pessoa escutaria se passasse por perto dali... Exagerei? Sim, exagerei. O uso do meu exagero é só uma forma de mostrar todo o meu repúdio por generalizações. Se você pesquisar significados de ‘generalizar’, encontrará sinônimos do tipo: “tornar geral, difundir, vulgarizar”. Afinal, o que tanto me motivou a escrever isso aqui?

 “Todos os evangélicos são ignorantes e acham que são os únicos que vão para o céu.” Esta foi uma das frases citada pela garota cujo cabelo estava preso em volta de vários elásticos coloridos. Não vou iniciar uma defesa da minha religião, até porque meu objetivo é totalmente outro. A outra menina possuía um fone em um de seus ouvidos, e não aparentava nem um pouco interessada; até porque o máximo que fazia era acenar a cabeça, mexer no celular e encaixar o fone que constantemente fugia dela. Eu faria algo bem mais correto: me levantaria, sentaria lá nas últimas cadeiras do veículo e aumentaria o volume da música – que aparentemente era um rock – só para fugir do zumbido daquelas palavras.

Voltemos à discussão. 

Para completar, foi mencionado que todos os líderes religiosos (pastores e afins) são corruptos e vieram com uma missão de “sugar o dinheiro dos membros da igreja”. Confesso que me revoltei com isso. Se bem que a minha revolta se limitou no silêncio: não entrei no meio da conversa e nem iniciei discursos que comprovassem que a garota estava equivocada. Minha revolta se limitou em um simples olhar de reprovação. Um simples olhar de reprovação. Não demonstrei nenhum sinal que acarretasse uma demonstração de desprezo a todas aquelas afirmações, até porque sou boa nisso e acho que a pior forma de mudar o pensamento dela seria expondo o meu. Quem iria ligar para uma maluca que escuta a conversa dos outros, e ainda por cima se sente no direito de falar o que pensa?

Já estava na hora da minha saída do ônibus e as deixei lá. Nem pude ouvir o que a garota de cabelo preso tinha a completar. Perdi as contas de quantas vezes a amiga dela ajeitava o tal fone em seu ouvido, disfarçando a falta de interesse. Passei a caminhar pensativa e me questionei sobre o que fez aquela menina a cometer um quase-crime: a generalização.

Estou agora afirmando que as pessoas que costumam generalizar certas coisas estão cometendo um crime. Elas devem ter cuidado ao empregar o “tudo” ou “toda”, porque a sentença disso é a famosa ignorância. Não estou criticando uma opinião sobre evangélicos e nem nada do tipo, e sim a forma de vulgarização que fora atribuído a eles. Nem todo religioso é corrupto, fanático e desonesto. Assim como também não podemos excluir a opção de que existem, infelizmente, religiosos com tais características. Na verdade, o mundo é assim: cheio de altos e baixos. As pessoas são assim: multifacetadas. Não dá para dizer que um livro lido na adolescência trará as mesmas sensações se eu o reler aos quarenta e nove anos de idade. Tudo muda e aquilo que parece ser concreto e com cara de imortalidade, simplesmente, se vai.

Não precisei presenciar a conversa daquelas duas garotas para dizer que sou totalmente contra qualquer tipo de generalização, e acho que estereótipos só servem para perpetuar a onda de discriminação. Já estamos cansados de ouvir piadinhas sobre negros, por exemplo, atribuindo-os como “marginais” ou algo do gênero. Mas, relaxa, a sociedade não é boba de deixar isso evidente: só fica nas entrelinhas.

Assim como a outra menina do fone de ouvido, vou permanecer despreocupada diante das generalizações. Se você generaliza hoje, pode ter certeza que, depois de um tempo, vai ser obrigado a se contrariar. E só pra não perder a piada, acabei de chegar a uma óbvia conclusão: todo mundo que generaliza tem uma noção de mundo bem menor do tamanho da sua estupidez.

LAÍSA CAROLINE

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