
A vida tem uma maneira instigante de aderir certas pessoas em nossos caminhos e, de uma maneira tão sucinta, retirá-las. A partir disso, a vaguidade toma o lugar delas, um lugar que você acreditava que estaria sempre ocupado, preenchido. E agora, o que resta lá? Lembranças, talvez. A pessoa pode até mudar, mas as lembranças, por menores que sejam, permanecem. E nem adianta querer que elas evaporem de forma imediata. Elas não vão. Elas vão querer ficar pra te fazer querer reviver tudo aquilo outra vez. Vai ver o segredo seja ignorá-las, mesmo no fundo você estar dando importância – e muita! – para elas. Aprenda a mentir. Diga que não se importa. Afirma que esqueceu. Quem sabe assim as lembranças se contentem com seu falso desprezo e vão embora? Vai chegar uma hora que quando você repetir “Eu não me importo” não será mais mentira, será verdade. Você definitivamente aprendeu a superar boa parte daquilo que te impedia de acreditar novamente. Quero dizer, acreditar em outras pessoas, já que quando nos decepcionamos com uma, a tendência é a insegurança e a desconfiança reinarem.
Ainda bem que a vida, de uma maneira ou de outra, procura recompensar certos danos. Ela coloca em nossos caminhos pessoas reais. Pessoas que você sabe que pode depositar sua confiança. Pessoas que, apesar de tudo, te aceitam da forma que és. Bom é saber que quando alguém resolve encher de pancadas todas as suas expectativas, outro indivíduo pode te estender a mão.
É aí que você se questiona: se tem gente que permanece presente, o que impulsiona outras pessoas a partirem? Boa pergunta. Vai ver, ela não possua uma resposta. Resposta pra quê? Nenhuma tentativa de respondê-la vai justificar a ausência de algumas. O que a gente sabe, no final das contas, é que Deus sabe exatamente o porquê da saída de certos personagens nesse cenário chamado mundo. Enquanto você souber dar importância ao verdadeiro protagonista, ou seja, você, saberá selecionar bem seus coadjuvantes; e melhor: saberá que alguns não vão passar de meras participações especiais no enredo.
Afinal, é como diz Tati Bernardi: “Quem tem que ficar, fica.”
LAÍSA CAROLINE
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