julho 24, 2012

Às vezes a gente cansa


É absolutamente frustrante perceber que a tão famosa rotina é habilidosa no quesito de caça. Ela captura as vítimas mais fracas, as que, ingenuamente, se deixam acostumar com sua presença. A rotina é assim mesmo: se hospeda em sua casa como quem quer só passar um simples final de semana, mas, na verdade, ela vem com outra intenção. Intenção de ficar um longo tempo. De realizar uma mudança de vez. Quando a gente menos percebe, ela já possui o direito de deitar no sofá, abrir a geladeira para pegar o que quiser e escolher qual canal de TV se apresenta mais conveniente. É, a rotina já se tornou íntima. 

O problema é toda essa acomodação. Essa falta de vontade em tentar algo novo. Esse costume em só formular promessas. Esse apego às palavras. Atitude que é bom, a gente só sabe a receita, já que falta disposição para exercer o modo de preparo. São por esses e vários outros motivos que a rotina se instala, se apega e permanece a cada dia. Estamos dando motivo a ela para querer ficar. Afinal, ela não é boba em deixar logo aqueles que a alimentam. 

Não é preciso que uma bombástica revolução no cotidiano aconteça, até porque estamos sujeitos a esse acomodo rotineiro, a fazer sempre as mesmas coisas e ver sempre as mesmas pessoas todos os dias. Mas é necessário que mínimas mudanças aconteçam, só para sair dessa mesmice e dessa indisposição. A vida, no fundo, nem é sem graça. Somos nós que a deixamos, muitas vezes, nesse contexto. 

Possa ser que toda essa conversa fora sobre rotina em nada faça sentido. É só que, às vezes, a gente cansa. Da vida. Das pessoas. Do mundo. De tudo. Surge uma necessidade em respirar novos ares, conhecer outros lugares e se perder por aí. Outrora dá vontade de se isolar, não procurar ninguém e se contentar com o próprio eu. Vai ver a única verdade é que nos cansamos de nós mesmos. Só não admitimos. Enquanto isso, a rotina vai se tornando, aos poucos, uma fiel amiga.

LAÍSA CAROLINE

Um comentário:

  1. Dependendo da situação a rotina se torna um peso nas nossas vidas, às vezes é necessário jogar mesmo tudo pro alto e depois ficar um pouco sozinha, não é? Ótimo texto. Beijos, Gleanne.

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